Não sou um grande leitor de HQs, mas vez por outra (na verdade, com uma frequência maior que a sugerida pela expressão) volto a Oleg, do Frederik Peeters. Geralmente o faço aos domingos, é o dia que, sem saber explicar as razões, sinto vontade de ler uma HQ. Foi assim hoje, e lá fui em busca de encontrar Oleg entre meus livros.
A HQ entraria na categoria dos autobiográficos, fatia que, segundo o próprio Oleg, é antiquada e demasiado ligada ao que produziam nos anos 1990 e 2000. Talvez seja essa uma das razões pelas quais sempre acabo voltando a ela. A HQ é uma coleção de momentos da vida de um homem comum de nossa época que parece, por inclinação natural, mais ligado ao estilo de vida de duas décadas atrás. Boa parte de seus conflitos gira em torno desse deslocamento subjetivo, desse sentimento de inadequação. Oleg se sente profundamente incomodado diante de práticas, comportamentos e opiniões que, hoje, são parte de nossa arquitetura social, e se mantém deliberadamente afastado, por exemplo, de coisas como redes sociais, instâncias medulares de consagração e rejeição (inclusive no âmbito artístico) nesta segunda década do novo século.
No final das contas, Oleg é um personagem carrancudo e reclamão, como um Holden Caulfield de meia idade obrigado a tolerar a fragilidade das conexões e o culto às personalidades do século XXI. Como a criação de Salinger, ele perambula pelas ruas de sua cidade remoendo seu próprio enfado, tentando se blindar de elementos intrusivos e falhando miseravelmente (ad infinitum) em encontrar seu lugar no mundo.

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