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| Boyhood of Lincoln, 1868, de Eastman Johnson |
"A tarefa infinita do leitor, que é percorrer a biblioteca universal em busca de um texto que o defina, e subvertê-lo, multiplica-se (se é que o infinito pode se multiplicar) quando esse leitor assume sua condição de tradutor." (Manguel, 2020, p. 78).
Em texto sobre o ofício do tradutor, Manguel desenha essa imagem, que me parece infinitamente bela, sobre o percurso do leitor através, numa perspectiva inegavelmente borgiana, de uma biblioteca universal. A ideia de uma tarefa incessante, de um conjunto incalculável de livros, da busca por uma autocompreensão nascida da subversão do texto de outro, daquele texto, e a multiplicação impossível, mas possível, na literatura, do infinito. E como estamos, sem que o percebamos, talvez, ou percebendo-o mas sem conseguir colocá-lo em palavras, nessa busca incessante, de prazer e dor e desespero e angústia e uma ou outra faísca de reconhecimento que, mesmo centelha, é capaz de incendiar.
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MANGUEL, Alberto. A outra escrita. In: Notas para uma definição do leitor ideal. 1a. ed. São Paulo: Edições Sesc, 2020.

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